PARA REFLETIR

sábado, 11 de julho de 2009

A CONTA SECRETA DE 'JS' LÁ FORA. SERIA UMA OU MAIS CONTAS NO EXTERIOR?

A CONTA SECRETA DE 'JS' LÁ FORA


Auditores do BC encontraram uma contabilidade clandestina no falido Banco Santos – e ela indica que o presidente do Senado, José Sarney, tinha uma conta no exterior



Deu na Veja
De Alexandre Oltramari:

Em junho de 2001, o presidente do Senado, José Sarney, esteve em Veneza, na Itália, ao lado do banqueiro Edemar Cid Ferreira, amigo de mais de três décadas. Eles foram acompanhar a cultuada Bienal de Artes da cidade. Sarney e Edemar visitaram exposições e foram a festas.

Semanas depois, já em São Paulo e de volta ao trabalho, o então dono do Banco Santos mandou registrar em seu computador detalhes financeiros da temporada da dupla em Veneza. O registro faz parte dos milhares de arquivos digitais que integram o processo sigiloso de liquidação do banco.

O documento tem como título "JS-2". Em sete linhas ele relata a movimentação de uma conta em dólares no exterior. Há um ano, VEJA teve acesso a esse e outros documentos do rumoroso caso de liquidação extrajudicial do Banco Santos.


Reprodução da VEJA


Na semana passada, finalmente ficou claro que JS-2 era o nome-código de uma conta em dólares de José Sarney e que as anotações feitas em 10 de junho de 2001, exatamente no dia da abertura da Bienal, se referiam a movimentações de fundos.

Edemar registrou a entrega de 10.000 dólares em Veneza a "JS". Edemar Cid Ferreira se referia ao presidente José Sarney em documentos do banco recolhidos pelos interventores e em poder da Justiça pelas iniciais "JS." Caso encerrado?

As evidências são inequívocas, mas à polícia e à Justiça cabe a palavra final.

Procurados por VEJA, tanto Sarney quanto Edemar garantiram desconhecer os fatos apurados pelos interventores e pela Polícia Federal e registrados nos documentos que ilustram estas páginas. Essa é uma questão que cabe à Justiça dirimir.

Como também cabe às autoridades determinar se essa conta e os fundos nela contidos são de origem legal e se foram devidamente declarados à Justiça Federal. Não é crime ter conta no exterior.

Crime é mandar para fora os recursos sem conhecimento das autoridades e sem comprovar a licitude de sua origem. Por enquanto, o que os documentos significam é mais um grande constrangimento para o presidente José Sarney em um momento em que ele já se encontra assoberbado por uma série de denúncias extremamente graves.

A simples proximidade com o controlador do Banco Santos é problemática. Edemar foi condenado pela Justiça, em primeira instância, a 21 anos de cadeia, já passou duas temporadas em uma penitenciária em São Paulo e está com todos os bens bloqueados pela Justiça.

Os documentos referentes à conta de José Sarney estão anexados a outros que os fiscais do BC coletaram no curso de uma investigação bem mais ampla das atividades financeiras clandestinas do Banco Santos. Nos computadores apreendidos foram localizadas trocas de mensagens entre a secretária de Edemar, Vera Lúcia Rodrigues da Silva, e um conhecido doleiro de São Paulo.

Eles combinavam pagamentos e entregas a clientes de dinheiro vivo, em dólares e reais – tudo sem nenhum registro contábil oficial. Algumas dessas operações, segundo a polícia, referem-se a comissões que Edemar Cid Ferreira pagava a dirigentes de fundos de pensão de empresas privadas e estatais que, a despeito de ter interventores instalados no banco e dos rumores de quebra, mantinham altas somas aplicadas ali.

O arquivo "JS-2 – Posição exterior JS" foi encontrado nessa má companhia. Ele identifica a movimentação da conta que, em 30 de outubro de 1999, registrava saldo no exterior de 870 564 dólares, o equivalente, então, a 1,7 milhão de reais. Além da entrega de dinheiro em Veneza, o arquivo "JS-2" expõe outras duas retiradas.

A primeira, em 18 de dezembro de 2000, é de 4 717 dólares, ou 10 000 reais, segundo a conversão anotada na planilha, e não especifica o destino dos recursos. A segunda, em 21 de março de 2001, descreve um saque de 2 273 dólares, também convertidos em reais.

Especifica-se o destinatário: "Valor entregue na Al. Franca". A família Sarney tem um apartamento na Alameda Franca, em São Paulo, onde, recentemente, se hospedou a governadora Roseana Sarney depois de se submeter, na capital paulista, a uma cirurgia para correção de um aneurisma.

A relação íntima e histórica de José Sarney com Edemar Cid Ferreira, os negócios do ex-banqueiro em áreas de influência política do senador e a coincidência entre as iniciais JS são, repita-se, apenas evidências, quase inequívocas, sim, mas apenas evidências, de que ambos se associaram na prática dos delitos financeiros consubstanciados nos documentos em poder da Justiça.

A dúvida sobre se as iniciais JS se referem mesmo a José Sarney não existe. A prova disso está em outro documento em posse da Justiça ao qual VEJA teve acesso: a agenda de Edemar. A letra "J" registra nomes conhecidos como José Serra, Jô Soares, Jayme Sirotsky, Jorge Santana e João Santos.

Entre nomes completos está a sigla "JS". Clicando em cima das iniciais abre-se uma página intitulada "Contatos JS". Nesse arquivo estão armazenados todos os endereços de José Sarney em Brasília e em São Paulo e todos os telefones, inclusive de secretárias, ajudantes de ordens e seguranças do presidente em Brasília, São Luís e Macapá.

"As referências a José Sarney em muitos documentos encontrados no banco eram feitas simplesmente pela sigla JS", confirma um dos auditores do Banco Central que participaram do processo de liquidação do Santos e não pode se identificar.

A suspeita de que mantinha uma arca milionária e secreta no exterior, administrada pelo amigo banqueiro, é terrível para o presidente do Congresso porque suas declarações de imposto de renda não registram dinheiro no exterior no período contemplado pela contabilidade do Banco Santos.

Além disso, os dólares de "JS" equivaliam a 1,7 milhão de reais em 1999 – 74% do patrimônio total declarado por Sarney à Justiça Eleitoral em 1998, quando concorreu ao cargo de senador pelo Amapá.

Questionado por VEJA sobre a existência de recursos de sua propriedade no exterior, entre 1999 e 2001, o senador foi enfático. Por meio de sua assessoria de imprensa, Sarney informou que não manteve recursos fora do país nesse período.

Sobre a coincidência entre o repasse de dinheiro exatamente no período em que esteve em Veneza, o senador disse apenas que "isso não me diz respeito". O presidente do Congresso confirmou que fora à Bienal a convite de Edemar com as despesas de passagem e hospedagem pagas pelo ex-banqueiro.

Envolvido em uma espiral de denúncias desde que assumiu o comando do Congresso, o senador também é mencionado de maneira explícita numa agenda em que o ex-banqueiro lista tarefas que precisava cumprir no dia 1º de novembro de 2004 – onze dias antes da intervenção do BC em seu banco.

A agenda deixa evidente que a relação entre o senador e o ex-banqueiro não era apenas de amizade ou interação intelectual. Em um dos itens, logo abaixo do nome de Sarney, aparece o nome da estatal Eletrobrás. A empresa, comandada por gestores indicados pelo senador desde o início do governo Lula, é uma das patrocinadoras do fundo de pensão Real Grandeza.

Dos cinco maiores fundos de pensão que perderam recursos com a quebra do banco, o Real Grandeza foi o maior prejudicado. Sofreu um prejuízo de 153,6 milhões de reais. O Nucleos foi outro fundo que ficou no prejuízo com a liquidação do Santos. Ele pertence aos empregados das estatais do setor nuclear, uma área notoriamente controlada por pessoas indicadas pela ala do PMDB mais ligada a Sarney.

A relação entre o ex-banqueiro e o senador sempre foi pontuada por episódios estranhos. Há cinco anos, um dia antes da intervenção do BC no Santos, Sarney conseguiu retirar 2,2 milhões de reais que tinha investido no banco do amigo. Entre as centenas de aplicadores no banco de Cid Ferreira, Sarney foi o único que conseguiu salvar suas economias, escapando do bloqueio imposto pelo BC aos outros investidores.

O presidente afirmou, então, que mandara sacar o dinheiro por causa dos rumores no mercado dando conta da péssima saúde financeira do Santos. Sarney negou ter recebido informação privilegiada.

Em entrevista a VEJA, o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira disse ter ordenado a transferência por conta própria. "Sarney nunca me pediu para retirar o dinheiro do banco. Eu que o fiz", afirmou. A explicação sobre a origem do dinheiro também não convence muito.

Como os 2,2 milhões de reais não apareciam em sua última declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, Sarney afirmou que o dinheiro fora obtido com a venda do Sítio do Pericumã, uma fazenda de 268 hectares que mantinha nas imediações de Brasília. O presidente, porém, continuou a usar normalmente a propriedade que afirmou ter vendido.

Desde que perdeu o banco, Edemar Cid Ferreira vem amargando um período de purgação. O ex-banqueiro garantiu a VEJA que o Santos nunca foi depositário de recursos de terceiros no exterior. E acrescentou: "Desconheço a existência de um arquivo JS-2 em meu computador. Não sei quem criou, quando e com que propósito".

O arquivo JS-2, segundo os registros digitais que podem ser verificados no próprio computador do ex-banqueiro, foi criado no dia 3 de julho de 2001, às 10h05, por uma funcionária chamada Vera – mais precisamente Vera Lúcia Rodrigues da Silva, secretária de Edemar, a mesma que, de acordo com a polícia, operava as contas e fazia os pagamentos clandestinos do Banco Santos. Com a palavra final, a Justiça.





MINHA OPINIÃO:


Devido à gravidade das informações vou deixar para comentar amanhã, em horário comercial. Não tenho condições de me manifestar por enquanto... Não me acostumo com os absurdos que estão vindo à tona cada dia.Devido à gravidade das informações vou deixar para comentar amanhã, em horário comercial. Não tenho condições de me manifestar por enquanto... Não me acostumo com os absurdos que estão vindo à tona cada dia.

Voltei!

Lendo os comentários do Blog do Noblat, ache alguns muito bons e resolvi resumi-los aqui: a unanimidade entre as opiniões é quanto à insustentabilidade da situação do Presidente do Senado.Lendo os comentários do Blog do Noblat, ache alguns muito bons e resolvi resumi-los aqui: a unanimidade entre as opiniões é quanto à insustentabilidade da situação do Presidente do Senado.

Temos que perceber que já ficou incrustado em nossas mentes que "SARNEY É SARNEY" e o é desde que entrou na política. Todos os conchavos que se propôs a fazer depois de deixar a Presidência da República é de conhecimento da mídia e da população.

Digamos que não tínhamos conhecimento de tudo, talvez nunca saibamos, mas de grande parte sim. Porém, como bons servos, nós o deixamos conseguir a posição que alcançou. Fomos incapazes de detê-lo no início, nos enganamos achando que todos são iguais, e que não adiantaria mudar.

O pior é que o grande partido de oposição que tivemos – o PT – acabou se compondo com o Senador José Sarney para conseguir a tão falada governabilidade. E a que preço não é mesmo? Hoje vemos quão caro custa manter essa tal governabilidade. Mas ela serve pra que mesmo? Pro Presidente continuar aprovando medidas de seu interesse ou pro bem do povo que o elegeu e o elegeria de novo graças à bolsa família?

Engraçado, para não dizer estarrecedor, reconhecer que estava ao alcance de todos nós impedi-lo desde suas primeiras aventuras. Mas nada se fez durante vinte anos, e aqui no Maranhão por 50 nefastos anos.

Os ecos de suas aventuras rodavam todas as redações, desde as estripulias de seu genro Jorge Murad, durante seu mandato de Presidente da República, à ligação permanente com o Sr. Edemar Cid Ferreira – padrinho de casamento de sua filha Roseana Sarney Murad (nossa atual Governadora imposta pelo TSE).

Mesmo assim, durante décadas mereceu todo o cuidado por parte da imprensa, e um carinho e proteção especial de alguns veículos de imprensa.

O que mais nos deixa inertes é saber que este tiroteio infindável contra ele, só agora, não tem razões tão nobres. A mídia faz o mesmo que em todos os momentos anteriores da vida nacional. Cria o clima, levanta a bola de quem quiser se apresentar e vai gerando fatos, tirando os escândalos que lhe interessam da gôndola do supermercado e mandando bala.

Por que só agora surgem estas denúncias? Muitas ocorridas há anos sem que ninguém trouxesse à tona? Qual verdadeiro interesse está por trás da ‘crucificação’ do Presidente do Senado neste momento? Seria a maldição da cadeira da Presidência da Casa, como mencionado pela Veja na semana passada?

Não acho ruim todo este movimento, claro que não. Mas gostaria de ser coerente na análise que faço, pois tenho percebido certa manipulação da opinião pública contra, EXCLUSIVAMENTE, o Senador José Sarney...

Nós maranhenses, ficamos otimistas com a dita perseguição, pois assim esperamos chamar a atenção do resto do país para os problemas enfrentados pelo povo maranhense desde o início da trajetória política do Senador. Não que vivêssemos num paraíso antes dele, mas tivemos um conterrâneo na Presidência da República, logo após o fim da ditadura que nada fez para o progresso da sua terra.

Esta reportagem, que traz mais uma denúncia contra o senhor José Sarney só é mais uma das várias que sabemos. Precisamos mesmo é que o Ministério Público e a Polícia Federal investiguem a fundo os negócios da família, para que possamos ter a sensação de justiça reconhecida. Por isso o povo clama! Por justiça e não sensacionalismo.

Vamos pensar no povo que tanto sofre para deixar pessoas como as que estão nos representando hoje chegar ao poder e de lá não sair, utilizando-se dos cargos para amealhar mais fortuna para os seus.

Chega de hipocrisia, vamos enxergar as coisas como elas são e não como nos colocam. José Sarney cometeu muitos atos puníveis, para não dizer criminosos, mas não é o único, e a idéia não é crucificá-lo, mas aproveitar a “caça às bruxas” para mudarmos a mentalidade da massa.

Acredito que só assim podemos começar a vislumbrar mudança em nossa política, mas isso a longo prazo, longo mesmo. Nosso povo foi treinado a não questionar e para isso mudar leva um certo tempo. Agora é só o início de uma grande caminhada e eu só espero que meus netos vejam a mudança, pois eu não tenho esperança de ver.

FIQUE DE OLHO!!!

Texto alterado em 11/07/2009 para acréscimo da minha opinião

Um comentário:

  1. JS: RENUNCIAR NÃO BASTAR. TEM QUE CASSAR!!!

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