RIO – Francisca era de Carurupu, terra dos irmãos Frejat e dos irmãos Barbosa Lima, Murilo e Antenor, lá no norte do Maranhão, perdido fim de mundo, que só conhecia Vitorino Freire e José Sarney de rádio.
Francisca veio para o Rio, era empregada doméstica na casa de José Edson Sampaio, diretor financeiro da Unimed (previdência privada), de Niterói. José Edson convidou os amigos Aguiar de Paula, Murilo Barbosa Lima e Sérgio Barbosa para assistirem ao jogo Brasil x União Soviética. Uísque, tira-gosto, e a alma gelada. Eles torcendo, sofrendo, bebendo, e Francisca, entre a cozinha e a sala, trazendo o gelo e os salgadinhos. Daí a pouco, a União Soviética fez um gol. Na sala, um silêncio de tocaia.
RUSSIA
Francisca larga os pratos em cima da mesa, dá um pulo. E volta saltando para a cozinha, comemorando o gol dos russos. Ninguém entendeu nada. José Edson ficou furioso:
- Você está maluca, Francisca? Quem fez o gol foi a Rússia contra nós, contra o Brasil, e você aí comemorando?
- Não foi a Rússia que fez o gol, Dr. José?
- Foi. Você é comunista, sua maluca?
- Não sei o que é isso não. Mas lá em Cururupu me disseram que a Rússia é um lugar onde não tem fome.
José Edson só não mandou Francisca de volta para Cururupu porque Sócrates e Eder vingaram os pinotes da Francisca.
MARANHÃO
O país se escandalizou com a denuncia da Leila Suwwan (“Globo”), de que 60% da população do Maranhão só comem porque recebem os 150 reais (no maximo) do Bolsa Família. E não é só o Maranhão. No Piauí, são 59%. Em Alagoas, 58%. Na Paraíba, 55%. No Ceará e Pernambuco, 53%. Abaixo de 50%, a Bahia e Roraima com mais de 49%. Rio Grande do Norte, 48%. Acre, 47%. Sergipe, 46%. Tocantins, 45%. Pará, 42%.
Abaixo de 40%, Amazonas com 39%, Amapá 38%, Rondônia 35%. A partir daí, os que poderiamos chamar de não escandalosos: Espírito Santos e Minas Gerais com 25%, Mato Grosso do Sul 22%, Mato Grosso e Goias 20%, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro 7%, São Paulo 12%, Santa Catarina 10%, Brasília 6%.
BOLSA FAMILIA
Essa é uma estatística bíblica, dos tempos das sete pragas do Egito. Ou africana, da África de Biafra e Sudão, com suas multidões miseráveis, Dirão os insensíveis e insensatos que, se não houvesse o Bolsa Família, esses milhões e milhões de brasileiros iriam procurar trabalho para comer. Trabalho onde, se o desemprego aumenta e a educação não os prepara?
Os Mailson da Nóbrega da vida acham que essa merreca de 10 bilhões que o governo gasta por ano, para matar a fome de 50 milhões de pobres e miseráveis, devia ser dada aos banqueiros, para acrescentar aos 180 bilhões que o governo já paga de juros. Se dependesse do Henrique Meirelles, o Banco Central fazia uma raspa e dava tudo aos bancos.

SARNEY
Por mais que se tente passar uma semana sem macular a coluna com os bigodes feudais do senador Sarney, no painel da desgraça nacional que o “Globo” mostrou mais uma vez aparece, de bigode sujo, o senador Sarney, que há exatos 44 anos usa e abusa da capitania hereditária do Maranhão.
Qual é a cidade mais miserável do país? Leila Suwwan responde. Junco do Maranhão: 95,7% de sua população vivem do Bolsa Família. Em Brejo de Areia, no Maranhão, são 95,3%. Em Poção de Pedras, também no Maranhão, 88,4%. Em São Raimundo do Doca Bezerra, sempre no Maranhão, 86,1%. Em São Luis Gonzaga do Maranhão, 86,1%. Em Paulo Ramos, mais uma vez no Maranhão, 83,9%. É a maior concentração de miséria do país. Depois de meio século de feudalismo dos Sarney.
CAMPEONATO
No meio desse mapa, há três cidades, de três Estados, disputando o “campeonato Sarney”: Severiano Melo, do Rio Grande do Norte, com 95,4%, Camaru, em Pernambuco, com 92%, e Caraíbas, na Bahia, com 90%. Lá de São Luis o Raimundo Garrone resume tudo muito bem:
- “No Maranhão, todos os 217 municípios são atendidos pelo Bolsa Família, que beneficia 753.512 famílias, atingindo mais de 3 milhões e meio de pessoas em todo o Estado. O programa alcança 59,1% da população. Apenas em São Luis, a capital, o Bolsa Família beneficia 71,7 mil famílias, o equivalente a mais de 30% da população local".
ANTONIO VILLA
Marco Antonio Villa, professor e historiador paulista, na “Folha”:
1. - “A balburdia legal continua. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) agiu como a antiga Comissão de Verificação de Poderes, da República Velha, famosa por anular eleição quando o opositor era o vencedor. Tempos do voto de cabresto, das atas falsas”.
2. - “No Maranhão, o governador Jackson Lago foi apeado do poder. Foi um golpe às claras, organizado por uma família que tiraniza há mais de 40 anos aquele Estado, o mais pobre do país. O que aconteceu? O país silenciou. Ninguém protestou. Nem o partido do ex-governador, o PDT”
Ninguém, virgula, professor. Eu protestei. Em duas colunas na semana passada, disse que o ministro Ayres Brito não pode ser o Geisel ou o Chico Campos de Sergipe, criando governadores biônicos ou Atos Institucionais.
Fonte: http://www.sebastiaonery.com.br/visualizar.jsp?id=1486
MINHA OPINIÃO:Quem é ignorante no Estado do Maranhão? O povo tão massacrado ou os políticos que são eleitos para representar este povo?
Ao meu ver não é o povo que é burro, mas os políticos que escolhemos para nos governar que o são, já que, após eleitos com promessas de fazer a diferença, lutar pelo povo, e bla bla, bla, se vendem, ou melhor, vendem os votos que nós cidadãos lhe confiamos, por vantagens pessoais, bagatelas transvestidas em cargos, indicações e contratações de amigos e parentes.
Tal ação só faz a dinastia Sarney se perpetuar, considerando que o Senador José Sarneym hoje o chefe maior da nação e maior aliado do Presidente Lula, seu antes maior opositor, é inteligente o suficiente para saber jogar com pessoas de caráter duvidoso que é capaz de qualquer coisa para conseguir alguma vantagem. E, é triste afirmar isso, é o que temos de sobra nos representando.
Enfim, após esse desabafo, posso dizer tranquilamente que hoje me sinto envergonhada, não pelo povo que ficou inerte diante da absurda cassação, mas pelos nossos representantes que nada fizeram, principalmente por tratar-se da defenestração da FRENTE DE LIBERTAÇÃO que era apenas o primeiro passo a caminho da verdadeira liberdade, mas como mudar um costume de 40 e poucos anos em 2?
Quero deixar o registro que não concordo com muitas ações do Governo Jackson Lago, mas não poderia ser diferente, vez que ali foi só o começo de uma mudança, ou melhor, de uma revolução, e isso é penoso, difícil, mas com a ajuda do povo é possível. O que falta é o povo maranhense ESQUECER a mídia estadual, pois completamente parcial, e atentar para os acontecimentos da sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado, não deixando de lado também de buscar informações do resto do país e do mundo!!!! Não podemos ficar apenas assistindo alguns jogarem xadrez através de nossas vidas, pois podemos sofrer o XEQUE-MATE.
Hoje estou inspirada! Desculpem pelo tamanho do texto, não é a intenção desta rede se manifestar tanto, somente alertar para alguns detalhes as vezes imperceptíveis, mas o que diz o Sebastião Nery só é o começo da nossa situação...
FIQUE DE OLHO!!!